• Andre Perim

U.T.I.

Atualizado: Mar 11

No período em que eu estava no hospital muitas pessoas me sugeriram que eu escrevesse sobre o assunto. Eu preferi fazer música. De alguma forma as palavras eram muito pesadas para mim. Era uma realidade que eu não tinha condições de colocar em palavras naquele momento. Agora estou reconsiderando a idéia. Estou escrevendo algumas "pilulas", uma espécie de diário atrasado. Um baú de lembranças. Não sei o que farei com isso. Pode ser até um livro futuramente. No momento são apenas pensamento e texto esparsos. Espero que gostem!



Tinha terminado a gravação do disco e faltava a mixagem. Na verdade parei no meio

da mixagem e resolvi retomar quinze dias depois. Tudo estava sendo muito rápido e

sem dramas. Fui fazer um exame de colonoscopia que achava desnecessário e

quando dei por mim estava num consultório médico ouvindo a sentença: Câncer.

Nunca passou pela minha cabeça essa possibilidade mas naquele momento tudo pareceu simples. Dá pra resolver? Tem que operar? Quando?

Dois meses depois estava na sala de cirurgia. Esperava ficar quatro cinco dias

no hospital, descansar umas poucas semanas em casa e voltar à ativa.

O que realmente não esperava é que a breve estadia se transformasse em um ano inteiro. Treze meses para ser mais exato. Quando hoje me perguntam como é possível aturar um ano dentro de um hospital tenho de deixar claro que não sabia quanto tempo ficaria.

Sempre achava daqui a tres semanas estaria livre de tudo aquilo.

Sem entrar em detalhes de questões técnicas o fato é que alguns pontos se soltaram

e tive uma infecção generalizada, com paralizia de diversos órgãos.

Na minha memória, da entrada na sala de cirurgia pularia direto para um determinado dia

em que repentinamente acordei. Não tinha idéia de quanto tempo ficara desacordado.

As pessoas em minha volta diziam. "Voce é muito forte, muito mais forte do que voce imagina".

Viu essas falas com um certo desdém afinal na minha cabeça apenas tinha acordado.

No dia a dia da UTI as informações vinham aos poucos. Ninguém tinha realmente a coragem de me dizer na lata que estive à beira da morte.


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While I was in the hospital, many people suggested that I should write about it. I preferred to make music. Somehow the words were too heavy for me. It was a reality that I was unable to put into words at that moment. I am now reconsidering the idea. I am writing some "pills", a kind of delayed diary. A chest of memories. I don't know what I'm going to do with it. It may even be a book in the future. At the moment they are just single thoughts and texts. Hope you like it!


The recording of the disc had finished and the mix was missing. I actually stopped in the middle mixing and decided to resume fifteen days later. Everything was going very fast and without dramas. I went for a colonoscopy exam that I thought was unnecessary and when I realized I was in a doctor's office listening to the sentence: Cancer. That possibility never crossed my mind, but at that moment everything seemed simple. Can you solve it? Do you have to operate? When? Two months later I was in the operating room. Expected to stay four five days at the hospital, rest for a few weeks at home and return to everything. What I really did not expect is that the short stay would become an entire year. Thirteen months to be more exact. When today I am asked how it is possible to put up with a year in a hospital I have to make it clear that I did not know how long I would stay. I always thought in three weeks I would be free of all that. Without going into details of technical issues, the fact is that some points have come loose and I had a generalized infection, with paralysis of several organs. In my memory, entering the operating room would jump straight to a certain day when I suddenly woke up. I had no idea how long I had been unconscious. The people around me said. "You are very strong, much stronger than you think". I saw those lines with a certain disdain after all in my head I had just woken up. In the day-to-day of the ICU, the information came gradually. No one really had the courage to tell me in the can that I have been near death.


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NOTICIAS/NEWS


"INFOTOXICATION" classificado para o Festival Ibrida que se realizará na cidade de Foli

na Italia em Abril de 2020


'INFOTOXICATION" in the Ibrida Festival at Foli, Italy, April 2020





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