Eu sou tecladista, carioca, de 54 anos, graduado em Jornalismo e trabalho com musica há muitos anos. Comecei com o Progressivo, e para poder me virar fui pra outros estilos; Toquei rock, música brasileira, latina, e na década de 90 participei do movimento Reggae carioca, vindo a acompanhar durante anos o Rás Bernardo, vocalista original do "Cidade Negra".

Nunca estudei música academicamente mas sempre fui muito curioso e atento às informações musicais que saiam do padrão. Estudei durante anos piano popular, arranjo e orquestração com o pianista Leandro Braga, com quem posteriormente co-produzi e co-apresentei, junto com o percussionista Mangueirinha o  programa "Quem Toca" na Rádio Roquette Pinto  onde tivemos a oportunidade de entrevistar a nata da  música instrumental brasileira
 (O programa durou de 2010 até 2017).
Também estudei ritmos de candomblé com Mestre Humberto (Já falecido). Minha relação 
não era religiosa, nunca foi, mas  De alguma forma, na minha cabeça, passei a fazer
 paralelos entre a linguagem extremamente complexa dos ritmos afro-brasileiros 
com algumas experimentações rítmicas que associava ao rock progressivo.

Em 2014 , após uma crise (normal no caso da maioria dos músicos) em que pensei em largar
tudo e tentar uma outra coisa, decidi fazer meu primeiro disco autoral.
O resultado foi Dágua, onde juntei minhas diversas experiências e influências num trabalho bem pessoal. Devido à boa aceitação, inclusive internacional, montei uma banda e sai para fazer shows ao vivo. A banda em si, fugiu bastante da formação padrão de um grupo de rock, mesmo até de progressivo. Ao invés do comum Bateria, baixo, guitarra e teclado, utilizei dois percussionistas, um baixista , um Theremin e eu nos teclados.

Os músicos, em sua maioria, amigos que havia feito durante minha trajetória como artista,
eram por si próprios muito especiais:
Wellington Soares, percussionista baiano  (Atualmente vivendo na Suiça) tinha na sua bagagem anos trabalhando com Caetano Veloso e o Rappa, além de organizador dos grupos como "Eletrosamba" e da festa "Afronautas", muito popular nos 90 no Rio de Janeiro.
Fábio Gomes, percussionista e dançarino pernambucano, ogâ do candomblé e cria de Naná Vasconcelos.
Rodrigo Sebastian, baixista ligado à tradição da música brasileira fascinado por novos baianos.
e João Pedro,ex-baixista da banda de rock Radio Kaos, que ná época começava a se interessar pelo
Theremin, instrumento eletrônico composto de uma antena, que foi eternizado por Jimmy Page do Led Zeppelin.

Além de nada usual, a formação ainda tinha um detalhe:
Nenhum dos músicos (me excetuando, é claro) tinha muito conhecimento do universo do Rock Progressivo, o que, no meu ponto de vista foi muito favorável para a criação da personalidade do som.
Outro ponto importante: Devido à agenda apertada de todos e ao próprio "clima" do trabalho,
ensaiamos o mínimo possivel, partindo logo para apresentações ao vivo em que a improvisação coletiva
fazia parte do contexto. Isso sem se ligar a um idioma específico (jazzístico, ou blues, ou erudito, 
o que quer que fosse). O resultado foi muito instigante e as músicas ganharam novas versões que iam 
mudando de show para show. Dificilmente fizemos um show igual ao outro, e isso é motivo de orguho.
A partir disso resolvi em 2017 gravar um show "ao vivo" dentro de um estúdio, sem platéia, sem nada.
O repertório se baseava praticamente nas mesmas músicas do disco anterior, mas em versões bastante diferentes das originais.

Foi durante esse processo que aconteceu um evento que mudaria drasticamente os fatos.
Foi diagnosticado com um câncer no intestino, e fui fazer uma cirurgia deixando a mixagem inacabada.
Meu plano era retornar em 15 dias no máximo e partir para um lançamento mais ousado, viajando para outros estados. Complicações ocorridas durante a cirurgia me deixaram um ano dentro do hospital, chegando à beira da morte algumas vezes. Durante esse processo passei a produzir um programa de web chamado "Efeitos Colaterais" em que criava músicas eletrônicas a partir do quarto do hospital e transmitia via internet. O resultado foi excelente, não só artisticamente mas como um processo de auto-cura.
Musicalmente a proposta estava mais associada à música eletronica alemã (Tangerine Dream, Popol Vuh, Kraftwerk, etc...) e ao Ambient. Novas possibilidades se abriram dai, e ao sair do hospital lancei "Dágua ao vivo" e "Side Effects"(uma compilação dos 6 episódios de "Efeitos Colaterais" destinado ao mercado internacional).

Fisicamente, ainda estou no lento processo de recuperação e fora de perigo. Minha produção tomou um rumo diferente e comecei a me dedicar à video-arte. Produzi um vídeo chamado "Infotoxication", que foi apresentado em diversos locais no mundo (Hong-Kong, Portugal, Arábia Saudita, Bulgária, Guiné Equatorial, Indía, etc...)
Aos poucos estou me dedicando à criação de um espetáculo multi-mídia onde juntarei as duas expressôes artísticas.
 

I'm a 54-year-old keyboard player from Rio de Janeiro, graduated in Journalism and work with
music for many years. I started with Progressive, and to be able to get by I went for other styles; I played rock, Brazilian, Latin music, and in the 90s
I participated in the Reggae movement in Rio de Janeiro, having been following the Rás Bernardo, original singer of "Cidade Negra". I never studied music academically but I was always very curious and attentive to musical information
that go out of the standard. For years I studied popular piano, arrangement and orchestration
with pianist Leandro Braga, with whom I later co-produced and co-presented, together with percussionist Mangueirinha the program "Quem Toca" on Rádio Roquette Pinto  where we had the opportunity to interview the cream of Brazilian instrumental music  (The program lasted from 2010 until 2017). I also studied candomblé rhythms with Mestre Humberto (already deceased). My relationship I was not religious, never was, but Somehow, in my head, I started to do  parallels between the extremely complex language of Afro-Brazilian rhythms
with some rhythmic experiments that associated
progressive rock.

In 2014, after a crisis (normal in the case of most musicians) in which I thought about quitting
everything and try something else, I decided to make my first authorial record.
The result was Dágua, where I brought together my diverse experiences and influences in a
very personal work. Due to the good acceptance, including international, I started a band
and go out to do live shows. The band itself has largely escaped the standard formation of a
rock group, even progressive. Instead of the common drums, bass, guitar and keyboard,
I used two percussionists, a bass player, a Theremin and me on keyboards.

Most musicians, friends that I had made during my career as an artist, were in themselves very special:
Wellington Soares, Bahian percussionist (Currently living in Switzerland) had years of experience in his luggage
working with Caetano Veloso and Rappa, as well as organizing groups such as "Eletrosamba"
and the "Afronautas" party, very popular in the 90s in Rio de Janeiro.
Fábio Gomes, percussionist and dancer from Pernambuco, Ogâ do Candomblé and creates by Naná Vasconcelos.
Rodrigo Sebastian, bassist linked to the tradition of Brazilian music fascinated by new Bahians.
and João Pedro, former bassist of the rock band Radio Kaos, who at that time was beginning to be interested in Theremin, an electronic instrument composed of an antenna, which was immortalized by Jimmy Page of Led Zeppelin.

In addition to nothing unusual, the formation still had a detail:
None of the musicians (except me, of course) had much knowledge of the Progressive Rock universe, which, in my view, was very favorable for the creation of the personality of the sound.
Another important point: Due to everyone's tight schedule and the "work climate" itself,
we rehearsed as little as possible, leaving for live performances in which collective improvisation
it was part of the context. This without linking to a specific language (jazzy, or blues, or classical,
whatever it was). The result was very exciting and the songs got new versions that were going
changing from show to show. We hardly ever did a show like the other, and that's a source of pride.
From that point on, I decided in 2017 to record a "live" show inside a studio, without an audience, without anything. The repertoire was based on practically the same songs as the previous album, but in very different versions of the originals.

It was during this process that an event happened that would change the facts drastically.
I was diagnosed with bowel cancer, and I went into surgery, leaving the mix unfinished.
My plan was to return in a maximum of 15 days and depart for a more daring launch, traveling to
other states. Complications during the surgery left me a year in the hospital,
reaching the brink of death a few times. During this process I started to produce a web program
called "Side Effects" in which he created electronic music from the hospital room and transmitted via
Internet. The result was excellent, not only artistically but as a self-healing process.
Musically, the proposal was more associated with German electronic music (Tangerine Dream, Popol Vuh, Kraftwerk, etc ...) and Ambient. New possibilities opened up from there, and when I left the hospital I launched "Live water" and "Side Effects" (a compilation of the 6 episodes of "Side Effects" intended for international market).

Physically, I am still in the slow process of recovery and out of danger. My production took a turn different and I started to dedicate myself to video art. I produced a video called "Infotoxication", which was presented
in several locations in the world (Hong Kong, Portugal, Saudi Arabia, Bulgaria, Equatorial Guinea, India, etc ...)
Gradually I am dedicating myself to the creation of a multi-media show where I will join the two artistic expressions.

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